domingo, 21 de fevereiro de 2016

China quer nova ordem internacional com base na igualdade

Na noite desta sexta-feira (19), uma delegação do PC da China participou de um colóquio aberto ao público promovido pelas fundações Maurício Grabois e Perseu Abramo, assim como pelas secretarias de Relações Internacionais do PCdoB e do PT, na sede dos comunistas em São Paulo, sobre a realidade chinesa.
Na apresentação, a delegação expôs detalhes do 13º plano quinquenal. O plano foi aprovado pela Assembleia do país e posto em prática pelo Partido Comunista. Cobrirá o período de 2016 a 2020.

A delegação é composta por membros do Comitê Central do Partido Comunista da China. Liu Jiayi, Sub-Secretário-Geral da Conferência Política Consultiva do Povo Chinês; Zhang Yansheng, Secretário-Geral do Comitê Acadêmico da Comissão para o Desenvolvimento e Reforma; Wang Heming, Subdiretor-geral do Birô do Departamento Internacional do Comitê Central do Partido Comunista da China do CCPCC; Chen Xiaoling, Chefe de Divisão, do Birô da América Latina do Departamento Internacional do CCPCC; Ye Boran, Primeiro-Secretário do Birô do Departamento Internacional do CCPCC e Zhou Xiangmeng, Secretário-Adjunto do Birô da América Latina do
Departamento Internacional do CCPCC.

A exposição do colóquio ficou a cargo de Liu Jiayi, que expôs em linhas gerais que o 13º plano pretende construir uma sociedade moderadamente desenvolvida, com um crescimento econômico caracterizado de médio para alto.

A maior preocupação do PC da China é fazer seu povo feliz, com uma vida feliz, enfatizou Jiayi. O plano em questão pretende elevar a ascensão social, acelerar a produção industrial, melhorar o meio ambiente e dar continuidade à democracia consultiva proposta pelo partido no ambiente político que vive atualmente o país.

Destaca-se que em 2020 a China terá sua renda dobrada em relação ao que era em 2010. A manutenção do crescimento econômico atual, de 6,5% ao ano, é o que garantirá a chegada à meta dentro de quatro anos. Mas isso depende de fatores incertos na economia mundial, mas que, segundo Liu Jiayi, tende a permanecer com um crescimento estável.

Segundo ele, o povo tem de sentir que o crescimento do país é estável e isso só se dá com ganhos reais nos rendimentos dos trabalhadores.

O desenvolvimento chinês, segundo eles, tem como fator de orientação 5 conceitos básicos. A inovação da ideologia do partido, a inovação no desenvolvimento, tanto científico, produtivo ou tecnológico, a emancipação da demanda e criação de mais oferta, o desenvolvimento coordenado que visa a diminuir as diferenças econômicas e sociais entre o leste e o oeste do país e a chegada a um nível de vida que corresponda ao ideal, o que não existe atualmente.

O desenvolvimento de uma cultura ecológica, da proteção ao meio ambiente e do bem estar do povo com cuidado com a natureza também é um dos objetivos do plano.

Ao final, o publico presente pode fazer algumas perguntas aos dirigentes chineses. Três temas foram abordos. A iniciativa conduzida pelo Partido sob o lema Cinturão - Rota, que é uma iniciativa econômica voltada à Ásia, o que a crise atual pode fazer com a cooperação entre o Brasil e a China e se durante o 13º plano haverá alguma modificação na democracia partidária.

Sobre a iniciativa Cinturão - Rota, Liu Jiayi explicou que essa política dependerá muito da cooperação internacional. Deve ter atuação intensa da mídia para divulgar os meios de cooperação. Entre eles, a China revela que está aberta para projetos de transporte e energia.

Também no âmbito da iniciativa pretende desenvolver com a juventude e as micros e pequenas empresas projetos que contemplem o meio ambiente. Outros aspectos envolvem o financiamento internacional.

A China, com isso pretende criar uma nova ordem internacional, na base da igualdade entre as partes.

Sobre a crise internacional, Liu Jiayi afirmou que Brasil e China precisam definir como será a cooperação entre essas duas economias. Para isso, há vários aspectos a se considerar. O mercado chinês tem lugar para o consumo de produtos brasileiros. Só no ano passado o chinês gastou cerca de R$ 3 trilhões em consumo. A China deverá importar produtos de mais qualidade do Brasil, produtos industrializados. O investimento direto do país, no Brasil, tem aumentado nos últimos anos e um dos caminhos é diversificar bastante a estrutura econômica.

Sobre a construção da democracia no país, Liu Jiayi afirmou que desde o 8º Congresso do PC da China têm sido feitas mudanças concretas, que ampliaram a democracia interna e o protagonismo do povo.

Durante o 13º plano quinquenal a democracia consultiva será ampliada. Liu Jiayi exaltou para os presente que o partido segura com firmeza a bandeira do socialismo e que não abandonará os princípios marxistas.
 
 
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